Covid

Entidade afirma que não há dados conclusivos sobre segurança e eficácia de nova dose para a Covid, e decisão abre caminho para variantes mais agressivas. 

No momento atual, é como jogar uma segunda boia para alguns enquanto outros estão se afogando ao lado, afirmou nesta quarta (25) o diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Ghebreyesus, sobre a decisão de alguns países de aplicar uma dose de reforço nos que já foram completamente imunizados contra a Covid.

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Mais que um problema moral, é um erro de política pública, disseram vários diretores da entidade. “Tomadores de decisão não devem usar recursos escassos como a vacina em uma aplicação sem comprovação científica, desviando-a de suas duas principais prioridades no momento: evitar mortes e impedir o surgimento de variantes mais perigosas”, declarou Kate O’Brien, diretora de imunização da OMS.

Apesar da não recomendação pela entidade internacional, governos têm optado pela aplicação de reforço em parte da sua população, principalmente para tentar conter o risco adicional da variante delta, mais contagiosa.

É o caso do Brasil: nesta quarta, o governo federal anunciou que idosos começam a recebê-la em 15 de setembro, e o governo paulista começa a terceira rodada de injeções no dia 6, para os maiores de 60 anos.

Para a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a precipitação pode ser não só um desperdício como prejudicial. Ela diz que painel recente com cientistas de vários institutos de ponta concluiu que ainda não há evidências suficientes nem sobre a eficácia de uma terceira dose nem sobre sua segurança.

Por outro lado, já há consenso de que a imunização completa originalmente prescrita (uma dose, no caso da Janssen, e duas doses para as outras) oferece proteção duradoura contra adoecimento severo, hospitalização e morte, que são o grande prejuízo desta pandemia, de acordo com O’brien.

“Sem comprovação científica de que seja necessário o reforço, as vacinas precisam ir para os mais vulneráveis e para médicos e enfermeiros desesperados por proteção nos países mais pobres do mundo”, disse a diretora de imunização.

É também uma questão de longo prazo, segundo ela, já que o lento avanço da imunização em parte do mundo mantém a pandemia ativa, além de abrir caminho para mutações que podem até escapar da proteção oferecida pelos fármacos usados no momento.

Na última semana, de acordo com os dados da OMS, 4,5 milhões de pessoas receberam diagnóstico de Covid e 68 mil morreram da doença no mundo. “Houve uma estabilização, mas num patamar muito alto e, principalmente, muito desigual”, disse Ghebreyesus.

Swaminathan afirmou que só com mais experimentos será possível determinar se reforços de vacina são realmente necessários e que essa recomendação pode variar de acordo com o imunizante tomado anteriormente, a variante presente no país e o grupo de risco em questão.

Fonte: Folha de São Paulo

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