‘Ele me beijou aqui’, alertou criança antes de ser espancada até morrer

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Criança teria alertado antes de ser espancada até a morte

A criança, de apenas 6 anos, teria sido amarrada, chicoteada e espancada pelo próprio pai e pela madrasta, diz a polícia do Rio de Janeiro

Fernanda Cristina Ribeiro Tavares, mãe da criança de 6 anos morta com sinais de espancamento na sexta-feira, 2, contava com a ajuda da avó paterna de Mel Rhayane Ribeiro de Jesus para pagar um advogado particular. Segundo dona Rosilene Francisca de Jesus, ela decidiu agir pois a criança era proibida de vê-la e toda a sua família materna, além de ter deixado de ir a escola. Apesar disso, ela confirma o depoimento do filho Rodrigo Jesus da França, pai de Mel, de que a menina era abusada pelo ex-padastro Alex.

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A criança, de apenas 6 anos, teria sido amarrada, chicoteada e espancada pelo próprio pai e pela madrasta, diz a polícia do Rio de Janeiro.

Rodrigo se declarou culpado à Polícia Civil pelas agressões que levaram ao falecimento de Mel e foi preso. A versão dada por ele em depoimento é de que, por conta dos estupros sofridos, a criança teria desenvolvido um distúrbio psiquiátrico que levava a se masturbar, e que batia nela para que ela parasse.

Eu resolvi ajudar a Fernanda pois a Mel estava com o pai, mas afastada das pessoas que ela gostava. Ela não via a mãe, a vó materna e nem eu. Então eu procurava saber notícias dela com os vizinhos, perguntava se andavam vendo a Mel… e me disseram que ela não ia mais para a escola e estava chorando a beça. Até então, eu pensava que eram umas palmadas. O meu filho é muito carinhoso, sentimental, nunca foi violento. Eu acho que na cabeça dele, estava fazendo o certo, ajudando a filha — contou Rosilene, fazendo referência à versão contada por Rodrigo à polícia de que Mel, traumatizada pelos abusos do ex-padastro, se masturbava em casa, e ele batia na criança para fazê-la parar: — Foi quando a Mel veio passar umas férias comigo que eu fiquei sabendo o que o Alex fazia e tudo começou. Um dia, passou um homem barbudo na nossa rua e ela comentou ‘Vovó, esse homem barbudo… barba espeta, né’. E continuou: ‘O marido da minha mãe, o Alex, me beijou aqui’ e apontou para o meio das pernas.

Rosilene afirmou que, em um primeiro momento, preferiu não contar para seu filho sobre o relato, com medo da reação, e foi isso que motivou a briga dos dois.

Eu contei para a atual mulher do meu filho, a Juliana, mas não para o Rodrigo, pois sabia que ele ficaria nervoso. Achei melhor conversar com a mãe e com a vó dela antes. Elas ficaram com raiva de mim e a Juliana contou para o Rodrigo, que disse que eu tinha passado por cima dele. Ainda fomos juntos pedir a guarda dela em Bangu, mas brigamos por eu ter escondido dele a situação e ele nunca mais deixou a menina ficar comigo. Eu sei que depois o Rodrigo e a Juliana ainda foram no Méier terminar esse negócio da guarda, relatou a vó. Fernanda Cristina defende o ex-padrasto de Mel das acusações.

Ele nunca fez nada, sempre tratou a Mel bem, pagou festa de aniversário para ela. E para a filha que eu tive com ele, sempre deu pensão, sem eu precisar entrar na Justiça — contou Fernanda, para quem o crime cometido por Rodrigo foi por raiva em ter sido cobrado na Justiça pela pensão da filha. Talvez ele quisesse ficar com ela para não pagar pensão, achasse que seria mais barato. Não sei. Antes disso, ele não tinha convivência com ela, não ligava para ela. Em dezembro, a mãe dele me pediu para levar a Mel para ficar um dia com ela, pois as duas eram muito agarradas. E eu levei. Quando ele viu, começou a gritar que não queria a filha com a mãe dele, pois os dois tinham brigado. E me pediu para ficar um fim de semana com ela. Eu deixei, pensei que fosse uma oportunidade para se reaproximarem. No dia em que fui buscá-la, ele já veio com as acusações todas sobre ela ser vítima do pai da minha segunda filha, o Alex. E o Conselho Tutelar deixou ela com ele, apesar do laudo que o Rodrigo mesmo levou ela para fazer ter negado que ela foi estuprada. Procurado, o ex-padastro de Mel preferiu não se posicionar.

Relembre o caso

Na tarde de sexta-feira, 2, a menina de seis anos chegou morta ao Hospital Naval Marcílio Dias, Lins de Vasconcelos, zona Norte do Rio. Ela foi levada pelo pai e pela madrasta. O homem pedia para ser preso pela morte da própria filha. Ele temia ser linchado por cerca de 15 pessoas que o aguardavam do lado de fora da unidade.
Mel Rhayane Ribeiro de Jesus, 6, apresentava várias marcas de correntes, feridas pelo corpo, exposição do ânus (sinal de abuso sexual) e estava com orelha cortada. A menina chegou com sinais de desnutrição e hematomas.
O relato do pai foi de que ela estava de castigo, depois de ter recebido “um corretivo”, quando ela parou de respirar. Em outra versão, ele disse que a criança morreu por ter batido a cabeça. Ele disse que estava com a criança há 6 meses.
O pai informou que a mãe havia perdido a guarda da criança por denúncias de que a menina sofria abusos sexuais. Equipes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Lins foram acionadas para o hospital, detiveram o pai da vítima e o conduziram à Delegacia de Homicídios da Capital (DH).
De acordo com informações da DH, foi instaurado um inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de Mel. “Diligências estão sendo realizadas em busca de informações que possam ajudar esclarecer o fato e parentes estão sendo ouvidos na especializada. As investigações estão em andamento”, diz a Polícia Civil em nota.
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