Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas

Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas

Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas

Integrantes da comunidade Kingoma, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), acusam um ataque contra a casa da líder quilombola Dona Ana. O fato teria ocorrido na madrugada desta quinta-feira (13). Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas

Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas

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De acordo com a comunidade, os agressores teriam derrubado cercas e portões e também teriam tentado derrubar a porta da casa de Dona Ana com chutes e empurrões. Conforme os moradores, o fato ocorre três dias após um protesto chamado de Marcha da Resistência do Kingoma.

Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas

Eles afirmam que atualmente, 578 famílias vivem na área que tem 1.284 hectares. Segundo eles, o governo quer reduzir o espaço para 300 hectares, o que não abrigaria 200 famílias. Ainda segundo o grupo, o conflito ocorre desde 2013, quando foi iniciada as obras da Via Metropolitana, que liga a CIA-Aeroporto (BA-526) à Estrada do Coco (BA-099) nos municípios de Lauro de Freitas e Camaçari. Eles acusam o governo do estado de invadir áreas do quilombo, com destruição de reserva florestal.

Quingoma é uma antiga zona de engenho do recôncavo baiano, que está localizado a três km de Lauro de Freitas e possui aproximadamente 3.500 moradores que buscam o resgate de suas raízes, pois se reconhecem como remanescentes de quilombos, mas ainda não foram reconhecidos. Quingoma é uma etnia africana vinda em menor número para Bahia. Trabalhavam nas fazendas  e engenhos da freguesia de Santo Amaro de Ipitanga (hoje Lauro de Freitas) como escravos na produção de cana de açúcar nos séculos XVIII e XIX.
Na comunidade são enfrentados problemas com moradia, transporte, saneamento, telefonia e água encanada. Segundo informações de alguns moradores, a agua encanada não chega todos os dias e por isso os moradores ainda recorrem a poços e carros pipa. O acesso ao bairro é muito complicado pois o transporte alternativo de vans deixa muito a desejar.
As famílias mantém o cultivo de subsistencia e o que excede é vendido na feira do centro de Lauro de Freitas. Era comum no local muitas nascentes de rio, o grande rio Joanes já foi parte importante na vida dessas pessoas que pescavam e tinham o rio como lazer. Hoje com a invasão imobiliária o rio está poluído e a cada dia os moradores se vêem pressionados a venderem suas terras para imobiliárias que avançam com as suas construções. Parte das terras se transformaram em reserva dos índios Kariri Xocó que vivem há doze anos e recebem visitantes de escolas em datas marcadas.
Os moradores de Quingoma mantiveram as suas tradições através da oralidade, hoje buscam o resgate da sua cultura. O bairro possui casa de farinha,terreiros de candomblé e uma pequena capela que tem como padroeiro São José. Apesar de todas dificuldades que enfrentam o povo é muito alegre e tem do que se orgulhar : A sua cultura e união. O Samba de roda Renascer de Quingoma vem ganhando força e a adesão de todos moradores e muitas pessoas visitam a comunidade em busca da roda alegre de samba. Através da arte eles ganham força e se mostram, para conseguir o reconhecimento e as necessidades básicas de todo cidadão.
Casa de líder quilombola é atacada em Lauro de Freitas
Dona Ana, líder dos quilombolas
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