Bolsonaro

Proposta surpreendeu o atual titular da pasta, Luiz Eduardo Ramos, que foi o última saber da mudança

Durante uma reunião com três ministros no Palácio do Planalto na tarde dessa terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro decidiu ligar para o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, que estava insatisfeito com o governo. Na chamada telefônica, Bolsonaro convidou o parlamentar, que estava em viagem no México, para assumir a Casa Civil. A proposta, segundo o relato de testemunhas, foi aceita no mesmo instante.

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Em seguida, Bolsonaro convocou para participar da reunião os ministros Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, e Onyx Lorenzoni, da Secretaria-Geral da Presidência. O presidente comunicou aos seus auxiliares a decisão de convidar Ciro Nogueira para assumir a Casa Civil, deslocar Ramos para a Secretaria-Geral e realocar Onyx para comandar uma nova pasta do emprego e da previdência. Ramos foi o último a saber da novidade — e, por ser amigo de longa data de Bolsonaro, ficou contrariado.
A decisão do presidente de fazer o que chamou de “pequena mudança ministerial” veio depois de cobranças do próprio Ciro e também do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), ambos do PP, por uma sinalização de que o governo está fechado com a sua base aliada. Ambos vinham alertando Bolsonaro que o Planalto estava perdendo apoio no Congresso, especialmente no Senado.

O presidente da Câmara ficou especialmente irritado com as declarações de Bolsonaro ao deixar o hospital no domingo, em São Paulo, quando o criticou o fundo eleitoral com valor previsto de R$ 5,7 bilhões para 2022. A proposta foi aprovada na semana passada pelo Congresso. Lira relatou a um ministro do governo que as críticas deixaram os partidos incomodados e, portanto, seria necessário fazer um “gesto” à base aliada.

Já Ciro Nogueira vinha criticando a articulação política do governo no Senado, que está na mira da CPI da Covid e enfrenta dificuldades para vencer as resistências contra a indicação do advogado-geral da União (AGU) ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Além disso, na condição de pré-candidato ao governo do Piauí, o parlamentar ficou irritado com o fato de o governo do Piauí, comandado por seu adversário político Wellington Dias (PT), ter anunciado na semana passada que o Ministério da Economia autorizou uma operação de crédito por meio do Banco do Brasil de R$ 800 milhões para o estado. Procurado, Ciro negou que tenha ficado insatisfeito com o episódio. Três ministros ouvidos pelo GLOBO confirmaram que Ciro reclamou da situação.

O gesto de Bolsonaro de convidar o presidente do PP para assumir a Casa Civil é uma estratégia para acomodar diferentes interesses políticos. Ao colocar Ciro Nogueira no comando da área responsável por nomear cargos importantes na administração pública, o presidente aplaca a insatisfação de seus principais aliados no Congresso e dá musculatura para a sua articulação no Senado, onde o governo patina para emplacar as suas pautas.

De acordo com pessoas próximas, Ciro decidiu antecipar a sua volta do México para o Brasil para a próxima segunda-feira, porque Bolsonaro tem pressa na nomeação do novo chefe da Casa Civil. A expectativa é de que a cerimônia de posse ocorra já no início da próxima semana. O presidente pretende se reunir no dia seguinte com todos os ministros.

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