Baianas se relacionam com pessoas mais velhas em troca de presente e dinheiro

Baianas se relacionam com pessoas mais velhas em troca de presente e dinheiro

Baianas se relacionam com pessoas mais velhas em troca de presente e dinheiro

Criar um perfil, escolher as melhores fotos, tentar parecer atraente. Depois, cruzar os dedos e torcer pra encontrar alguém interessante. Na maioria dos sites de relacionamento, é assim que acontece. Porém, no Meu Patrocínio, algo se destaca: ninguém está em busca de amor. Achou um pretendente? Ótimo, agora precisa pagar por ele – e bem caro. Prostituição? Eles juram que não. Troca de interesses soa melhor.

Funciona assim: a plataforma é dividida em daddies, mommies e babies. Sugar é açúcar em inglês. Os daddies e as mommies (papai e mamãe, em português) são pessoas mais velhas, bem-sucedidas e, claro, de coração e mãos bem abertos, cheios de mimos para dar. Do outro lado estão os bebês, jovens que precisam de presentinhos e boletos pagos. A matemática é simples. Enquanto um entra com a grana, o outro entra com o prazer.

(Ilustração: Morgana Miranda/CORREIO*)

Como funciona
Primeiro, você precisa escolher qual é a sua categoria. No caso dos daddies e das mommies, a burocracia é grande, tudo para provar que você, de fato, tem todo aquele cacife que diz ter no seu perfil.

É preciso mandar RG e, a depender do caso, até comprovante de renda. Isso tudo gera uma fila de espera, mas ela pode ser pulada sem problemas. Basta pagar R$ 249 e partir direto pro abraço – ou para otras cositas más.

De acordo com Jennifer Lobo, diretora executiva do Meu Patrocínio, essas regras existem para evitar mal-entendidos e incentivar a honestidade, parte essencial da plataforma.

“Isso não é uma transação de sexo por dinheiro. Ninguém tá pagando pra ter sexo. É um site de relacionamentos, mas existem pessoas bem-sucedidas que querem investir, que não se importam em ser provedoras. Não tem nada de errado”.

Já os bebês não precisam seguir esses trâmites – nada de filas ou pagamentos. Em contrapartida, todo cuidado é pouco na hora da autopromoção, já que a concorrência é grande: dos 750 mil usuários do site, 665 mil são sugar babies.

E para ajudar na hora de conseguir o tão sonhado patrocínio, algumas dicas são essenciais. Uma delas é caprichar na descrição. Nada de emojis ou frase de música, viu? Daddies e mommies valorizam, sim, a aparência física, mas ter conteúdo é essencial.

“Queremos pessoas com cultura, que saibam o que querem, que saibam por que estão ali e justifiquem isso. Queremos perfis reais”, comenta Jenniffer. Mas como transparecer todo esse repertório? Segundo a diretora, sinceridade é o primeiro passo.

“Se eu gosto de ir pra Europa e quero ir sempre, não gosto de fazer viagem para lugar perto, tipo Rio de Janeiro, eu preciso deixar isso claro e alinhar meus planos. É uma questão de se perguntar que tipo de vida você quer viver e mostrar isso no perfil”.

(Ilustração: Morgana Miranda/CORREIO*)

Machista? Para Jennifer, muito pelo contrário.

“Essa é a coisa mais feminista que tem no mercado. A mulher ter liberdade de ter a vida que ela quer, querer estar com alguém generoso, legal, que mora em uma grande casa. É ser livre”.

Outro detalhe são as fotos. Nada de exagerar nos filtros, ok? Quanto mais natural, melhor. Fotos só de rosto ou só de corpo também não são interessantes, afinal, os patrocinadores precisam analisar com cautela todos os detalhes.

Feito isso, pronto, o perfil do bebê está impecável. Quem sabe dá até para entrar na categoria Premium ou Elite, que são a alta sociedade do Meu Patrocínio. Lá, daddies e mommies precisam desembolsar uma quantia.

Seis meses de Premium custam R$ 894. O mesmo período no Elite custa R$ 4.794. O valor aumenta porque os provedores conseguem informações como renda mensal e antecedentes criminais da (o) baby.

(Ilustração: Morgana Miranda/CORREIO*)

Se interessou? Então, saiba que a realidade é muito mais próxima do que parece. Existem mais de 22.200 baianos por lá. Até o fechamento desta reportagem, 3.899 deles estavam em busca de um jovem atraente para bancar. Entre eles está a advogada Ana Cláudia Cruz, de 52 anos.

Mamãe, seja feliz

Com renda mensal de R$ 150 mil, a mommy era casada. Após o fim do relacionamento de sete anos, que segundo ela foi ‘loooooongo’, ela decidiu que era hora de se divertir.

Ao saber do site Meu Patrocínio, bateu a curiosidade – e ela não perdeu tempo. “Resolvi entrar para ver o que poderia acontecer, e muitas coisas aconteceram. No momento, ser uma sugar mommy é ser feliz, trouxe um colorido diferente à minha vida, mais alegria, mais emoções”, garante.

Apesar dos muitos rapazes que apareceram, Ana é romântica, não gosta de se envolver com vários ao mesmo tempo. “Sou do modelo antigo, uma relação por vez para poder usufruir sem outras distrações”. E a relação do momento tem dado certo.

Há quatro meses com seu atual baby, ela jura: existe afeto, envolvimento emocional e companheirismo. Não estão namorando, é verdade, mas, segundo Ana, há uma relação e existem sentimentos.

“Estamos em fase de encantamento. Tudo vai muito além do sexo. A diferença é que sou provedora, como meu ex-marido foi durante muitos anos e ninguém nunca questionou. Nós, mulheres, também podemos. Não é mesmo?”.

Romântica assumida, Ana confessa que adora mimar seu baby.

“Presto atenção nos desejos dele e procuro atendê-los. Adoro viajar, principalmente em boa companhia, então, pago todas as despesas. Banco jantares e tudo aquilo que envolva a minha vida social. Além disso, costumo abastecer a conta do meu baby para que não lhe falte nada”.

Recentemente, ela conta que o levou à Europa e garante que foi “uma viagem ótima, um excelente investimento”. Em contrapartida, ela exige exclusividade e disponibilidade do parceiro.

Se tiveres renda…

Estudante de Medicina em uma universidade particular de Salvador, Diego Medeiros, 26, entrou no Meu Patrocínio “pra ver da colé”.

Desde então, já passou por vários encontros, foi confundido com garoto de programa e – ufa! -, encontrou uma mommy pra chamar de sua. O rapaz integra uma lista seleta de sortudos, já que existem apenas 14 mil mommies na plataforma para 76 mil rapazes.

Ele garante que essa atual relação, assim como as anteriores, é romântica – quiçá, desprovida de interesses financeiros.

“Todas as vezes acaba sendo um envolvimento romântico mesmo. Já aconteceu de eu perceber que era um negócio meio de uso e ir embora, não quis partir pra esse lado. Tem que ser uma relação de amizade, pelo menos”.

Sobre presentes que ganha da mommy, ele sequer enxerga como presentes: chama de ‘lembrancinhas’. Tudo na base da espontaneidade.

“Nunca pedi nada, ela vai dando. Já teve camisa, jaqueta… o mais caro foi um celular, acho que custou
R$ 2.500, nessa faixa aí”.

Para ele, o dinheiro, por si só, não segura uma relação. Diego confessa ser exigente em relação às mulheres. “Olho tudo que olho em qualquer mulher. Tem que ter beleza exterior, postura, conteúdo. Isso não altera porque a gente tá no site”.

Vou jurar que é paixão

Carlos Muniz, 50, é engenheiro químico. Fatura, em média, R$ 150 mil por mês. Para ele, ser um sugar daddy não tem nada de extraordinário. Acostumado a se relacionar com mulheres mais jovens desde sempre, ele revela que nem sabia que existia um nome pra isso.

“Ser daddy para mim é apenas uma nomenclatura de um homem que gosta e quer deixar a sua companheira feliz. Um homem generoso, que quer aproveitar bons momentos ao lado da mulher que ama”.

No momento, o coração de Carlos não tem dona. Segundo ele, essa foi a razão para entrar no site de relacionamentos. “Eu quero, de fato, estar com uma pessoa, entrar em um relacionamento. Mas enquanto não encontro a menina ideal, utilizo a plataforma para buscar essa pessoa”.

(Ilustração: Morgana Miranda/CORREIO*)

Sobre os benefícios concedidos à amada, Carlos nem gosta de dar esse nome, chama de cavalheirismo natural. “É um costume meu, são gentilezas”. Dentre os mimos, ele confessa que seus favoritos são joias e viagens.

Mulher de um homem só

Nascida em Salvador, Mariana*, 30, não mora mais na capital baiana. O motivo? Seu sugar daddy. Após engatar o relacionamento, a moça se mudou para São Paulo. Tudo aconteceu rápido: em 2017 ela se cadastrou e, no mesmo ano, já tinha ido embora.

Diferente de alguns babies, Mariana não usa meias-palavras. Desde adolescente já sonhava em se casar com um homem rico e entrou no site buscando alguém que, segundo ela, a tratasse bem.

“Tem que ser generoso com os mimos. Viajamos sempre, tenho vários celulares, bolsas e roupas de grife, além de um cartão sem limite”.

Em troca, ela confessa que o homem, além de exclusividade, exige que ela malhe e mantenha o padrão de corpo que ele considera bonito.

Amanda Machado, 25, é estudante de Jornalismo e seu daddy, além de viagens e presentes, paga a faculdade e o aluguel do seu apartamento. Em dezembro, a moça embarca novamente para Los Angeles, onde o parceiro mora. “Já fui algumas vezes e ele banca tudo. Vamos para o Havaí depois estou bem ansiosa com essa viagem”.

Sobre o que mais a agrada em seu relacionamento, a estudante confessa que é o tratamento recebido. Um namoro comum nem passa pela cabeça. “Gosto que me trate bem. Amor não coloca comida na mesa e nem enche barriga”.

Fonte: correio24horas

Compartilhe